domingo, 16 de maio de 2010

Resumo: Uma visão argumentativa da gramática: os operadores argumentativos

KOCH, I. G. V. Uma visão argumentativa da gramática: os operadores argumentativos. In: _____. Argumentação e linguagem. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1993. p. 104-110.

A tese defendida por Ducrot, Anscombre e Vogt, mostra que a argumentação não constitui um acrescentado lingüístico, e sim um conjunto de instruções usadas na decodificação, as quais se atualizam leituras codificadas, bem como a seqüência do discurso, cujo traço empregado tem a intenção de orientar o interlocutor uma conclusão discursiva. Nesse sentido, existe na gramática de cada língua uma série de morfemas responsáveis por determinar a orientação discursiva, funcionando como operadores argumentativos ou discursivos. No entanto, algumas distinções são feitas: a gramática considera os morfemas elementos conectivos, tais como mas, porém, embora, já que, pois; já os demais casos, especificamente os vocábulos que não foram enquadrados em nenhuma das dez classes gramaticais, existem denominações adotadas por autores como, por exemplo, Rocha Lima, denotadores de inclusão (até, mesmo, também inclusive), de exclusão (só, somente, apenas, senão), de retificação (aliás, ou melhor, isto é), de situação (afinal, então). Assim, a semântica argumentativa recupera os elementos e determina o valor argumentativo na enunciação. Ducrot diz que P é um argumento que leva o interlocutor a concluir R, em que vários argumentos P, P', P" na mesma escala graduada, com maior ou menor força, denomina escala argumentativa. É possível elencar alguns operadores argumentativos: (i) operadores de hierarquia (mesmo, até, até mesmo, inclusive); (ii) operadores orientados a um mesmo sentido (e, também, nem, tanto/como, não só/mas também, além disso); (iii) operador ainda, que atua no sentido de introduzir mais um argumento, ou servir como marcador de excesso; (iv) operadores decisivos (aliás, além do mais). (v) marcadores de oposição explícitos/implícitos (mas, porém, contudo); (vi) função de ajustamento/esclarecimento (isto é, quer dizer, ou seja); (vii) orientadas na afirmação (tudo, todos, nada, nenhum). Os autores também destacam um caso particular do morfema mas, que coordena os elementos semânticos, acrescentando idéias oposta. Diante da relevância dos elementos argumentativos, é preciso conscientizar o usuário da língua da importância de se conhecer tais elementos, tanto para que ele os reconheça no discurso do outro, quanto os utilize no seu próprio discurso.

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